Este reencontro não estava previsto. Melhor dizer: não esperado. Bar. Bebida. Cadeiras. Besteiras ditas ao vento. Conversas caladas. Conversas barulhentas. Reencontros em tantos desencontros. Onde pôr as mãos depois de tanto tempo, no copo ou no corpo? E o olhar nos olhos ou nos seios? O que dizer depois de tanto tempo sem dizer? E pra que o reencontro? pra que se jogamos tudo na geladeira? e pra que partir se já me parti em vários pedaços no virar da página?
O inesperado. O impensado. O reencontro. O olhar. As mãos. E eu perdida. Você rindo. Eu assustada e você também. A surpresa de te ver e você de me ver. Nas surpresas crescemos. Mas logo esquecemos. E logo rezamos. E logo nos resignamos. E logo nos compreendemos e logo nos esquecemos de nós e logo no vácuo percebemos: continuamos por que a vida é assim: uma criança aprendendo a andar.
Este será um espaço onde exporei meus trabalhos tanto de escritos (apesar de não me considerar "escritora") e meus objetos feitos com reciclagem de materiais.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Estive perto. Estive perto de onde nem eu sei. Mas sinto que estive perto: perto de onde nunca estive. Mas alguma coisa diz que estive perto: Perto da morte. Perto do longe. Estive. O perto próximo de mim. O perto dentro de mim. O perto e a linha de chegada. A linha. A linha tão próxima e eu perto. Perto de alguma coisa. Que coisa? apenas perto. Estive perto de alguém. E o passado passando dentro de meu presente. E o presente sendo aberto como um "reality show" sem permissão mas, estive perto. Estive perto do meu presente. Estive perto de meu futuro. Estive perto. Estive esperto. Estive perto de alguma coisa que sinto: a brisa! Estive perto, ardentemente perto da escolha. Estive. Estive. Estive muito perto eu sei! Sabendo que estive perto demais me distanciei mas estive. Estive muito perto.
Espera já estás a sair?
Escute o bater das asas das borboletas.
Escuta. Espera de onde te vi e te conheço?
Que papo é esse? Espera!
Já estás de saída?
Não! escuta as mãos se entrelaçando.
Escuta. Espera de onde te vi e te conheço?
Que papo é esse?
Espera! já estás de saída?
Escuta! perceba: um pensamento vôou agora.
Escuta. Espera de onde te vi e te conheço?
Que papo é esse?
Espera. Já estás de saída?
Escuta. Ouça. Olha!
Mais uma energia correndo pelos corpos.
Escuta. Espera. Espera:
te vi e você a chorar: foi!
Escute o bater das asas das borboletas.
Escuta. Espera de onde te vi e te conheço?
Que papo é esse? Espera!
Já estás de saída?
Não! escuta as mãos se entrelaçando.
Escuta. Espera de onde te vi e te conheço?
Que papo é esse?
Espera! já estás de saída?
Escuta! perceba: um pensamento vôou agora.
Escuta. Espera de onde te vi e te conheço?
Que papo é esse?
Espera. Já estás de saída?
Escuta. Ouça. Olha!
Mais uma energia correndo pelos corpos.
Escuta. Espera. Espera:
te vi e você a chorar: foi!
sábado, 4 de julho de 2009
Observo:
Uma criatura me espia de cima da janela.
Um vulto olha para mim
e lambe tranquilamente sua patinha
esfregando-a atrás das orelhas.
E, neste trabalho, nos intervalos
olha verdemente para mim.
E, eu pensando...
Ele se limpa.
eu me inquieto...
Ele pula.
E sem me consultar ocupa meu colo e me olha bocejando
e, é como falasse:
-Conforto é uma questão de ponto de vista!
Encolhe-se e dorme.
Uma criatura me espia de cima da janela.
Um vulto olha para mim
e lambe tranquilamente sua patinha
esfregando-a atrás das orelhas.
E, neste trabalho, nos intervalos
olha verdemente para mim.
E, eu pensando...
Ele se limpa.
eu me inquieto...
Ele pula.
E sem me consultar ocupa meu colo e me olha bocejando
e, é como falasse:
-Conforto é uma questão de ponto de vista!
Encolhe-se e dorme.
Pergunto o que seria de minha dor sem mim, já que todos perguntam o que seria de mim sem a minha dor. Inútil, sem razão alguma. Quem quer uma dor? pergunto para mim. Coloco nos classificados do Estadão: "VENDE-SE uma dor inexistente mas insistente. Preço: contribuição não para aumentá-la mas para controlá-la".
E, ela me dói a cada desejo de abandoná-la. Mulher fútil ou útil? não sei. Todas às vezes que me dói é uma surpresa: uma mulher de fases. Por favor, não confunda com uma dor de dente ou cabeça: ela me indaga, me invade sempre a perguntar, e vem na hora errada mas no tempo certo. E a gente se convive. Dou álcool à ela e ela preguiçosa dorme, aí eu brinco...às vezes dou Clarice e ela goza obscenamente, aí acendo meu cigarro e a venço ou acho que venço por que me vem com várias perguntas. Acho que minha dor é freudiana, às vezes junguiana e aquelas escolas todas e eu Gestalt "catarclismo"...
Às vezes durmo mas ela insiste e me vem em sonho. É minha sombra ou minha pessoa? Em noites muito agitadas ela consegue me embalar. E, em seus braços durmo e me entrego. Hilariamente ela me anestesia. Para me vingar rio dela, ela me aperta e eu gargalho, louca que sou. Mas, a culpa: a culpa é dela. E ela também se diverte e ri de mim. Percebo que nunca a vencerei e se vencer será que vencerei a mim?
Sem seriedade seguimos rindo de nós, como boas amigas: ela me faz senti-la e eu retribuo sentindo-a.
E, ela me dói a cada desejo de abandoná-la. Mulher fútil ou útil? não sei. Todas às vezes que me dói é uma surpresa: uma mulher de fases. Por favor, não confunda com uma dor de dente ou cabeça: ela me indaga, me invade sempre a perguntar, e vem na hora errada mas no tempo certo. E a gente se convive. Dou álcool à ela e ela preguiçosa dorme, aí eu brinco...às vezes dou Clarice e ela goza obscenamente, aí acendo meu cigarro e a venço ou acho que venço por que me vem com várias perguntas. Acho que minha dor é freudiana, às vezes junguiana e aquelas escolas todas e eu Gestalt "catarclismo"...
Às vezes durmo mas ela insiste e me vem em sonho. É minha sombra ou minha pessoa? Em noites muito agitadas ela consegue me embalar. E, em seus braços durmo e me entrego. Hilariamente ela me anestesia. Para me vingar rio dela, ela me aperta e eu gargalho, louca que sou. Mas, a culpa: a culpa é dela. E ela também se diverte e ri de mim. Percebo que nunca a vencerei e se vencer será que vencerei a mim?
Sem seriedade seguimos rindo de nós, como boas amigas: ela me faz senti-la e eu retribuo sentindo-a.
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Quem sou eu
- silponzil
- São Paulo, São Paulo, Brazil
- A cada dia se reforça o discurso e a necessidade da Reciclagem de Materiais, eu respeito. Mas o que mais me atrai é poder dar forma e vida a objetos que estariam fadados às cinzas e a destruição: Reutilizar, Refazer. Respeito ao ambiente, às gerações futuras e aos próprios objetos. Somos uma totalidade. Não há como separar, o conhecimento popular, a arte a cultura, a história. O que nos une é a busca.